segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Bye bye black bird.
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Abre-me o corpo e,

separando-o mais,cava-lhe a fome
das manhãs tão verdes e tão húmidas aninhadas junto das figueiras.
Enlaça-me os cabelos que se apagam e despenham
no último compasso do teu rosto
Morde-me na boca o silêncio
por onde o sangue escorre
e teus lábios pousam.
Devolve-me o voo dos pássaros e das canções que não se quebram.
...o teu nome todo em fogo.


Diz-me adeus ou uma flor.

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Digo do corpo digno inteligente activo.
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ou adorativo aqui sob este sol demente
Digo do corpo digo o que indigente gente
declarou pervertido inútil indecente,
de escamotear esconder vestir e declarar
não-ter (sendo contudo algo de omnipresente)

Digo que o sexo existe apenas porque sim
como o pudera ser por exemplo um rim
ou qualquer outra víscera ou quem sabe um membro
que parece amovível quando e se preciso
porém nunca senhor deste secreto templo
vivo discreto imenso renovável todo
aqui e agora e logo e por fora e por dentro,
uno ou dispersivo mas um corpo sempre.
Maria Varella Cid.digo do corpo digno inteligente activo.

quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

autumn leaves.
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Nu sonhando uma noite solar.
Sepultei dias animais.
O vento e a chuva me apagaram
como a um fogo,como a um poema
escrito num muro.
Alejandra Pizarnik.madrugada.


segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

I know.
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das palavras que semeaste em minha boca

colhi
duas feridas
três pontinhos de ternura

e os pássaros bebendo dos meus seios.

apesar de tudo
é frio.
chega o escuro.
sei que vou morrer.
que seria de mim?
sem os teus lábios correndo por dentro do meu sangue
a segurar-me o corpo.

quinta-feira, 17 de Setembro de 2009

Não me devolvas a luz
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mas, antes,

alimenta
em minha memória
o desequilíbrio das flores
o beijo esquecido
a um canto junto com as amoras
a música refém das horas mortas
e as aves arrolhando em teus cabelos.

Isso me dás
e eu aceito
corpo mendigo de teus olhos líquidos.

terça-feira, 15 de Setembro de 2009

Poema.
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Tu escolhes o lugar da ferida
onde emitimos nosso silêncio.
Tu fazes da minha vida
esta cerimónia demasiado pura.
Alejandra Pizarnik.poema.

domingo, 6 de Setembro de 2009

addicted.
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A primeira vez que entrei num poema não fechei a porta.
O poema apanhou tudo.Nunca mais pude sair
.

Vasco Gato